google.com, pub-8049697581559549, DIRECT, f08c47fec0942fa0 HORTA E FLORES

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PRODUÇÃO DE TOMATE SOB MANEJO ORGÂNICO

 

PRODUÇÃO DE TOMATE SOB MANEJO ORGÂNICO

Introdução

O tomate (Solanum lycopersicon L. = Lycopersicon esculentum Mill.), cuja origem se remete à Civilização Inca, no Peru Antigo, é uma das hortaliças de maior importância. A China é o maior produtor mundial, seguida dos Estados Unidos e da Índia. O Brasil é o nono produtor mundial, e possui a terceira maior produtividade (FAO, 2012).

No cenário nacional, a produção foi de 4.425.274 t, com produtividade de 63,8 t ha-1 no ano de 2021 (LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA, 2022), caracterizando-se como cultura que envolve diversos tratos culturais e que é alvo de várias pragas e doenças (fitoparasitos), exigindo alta tecnificação na condução dos plantios, tanto na produção de frutos destinados ao consumo in natura (de mesa), envolvendo principalmente pequenos produtores, como na produção de frutos destinados à indústria, com predomínio de extensas áreas cultivadas.

No Estado do Rio de Janeiro, onde praticamente todo o tomate produzido é para o consumo in natura, a produção é a sexta maior do país, com 195.535 t e produtividade de 75,8 t ha-1 no ano de 2021 (LEVANTAMENTO SISTEMÁTICO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA).

Sobre o investimento necessário para a exploração comercial da cultura, o custo de produção é muito variável, ditado principalmente pela maior ou menor necessidade de controle de pragas e doenças, além dos fertilizantes, mão de obra e preço da semente da cultivar ou híbrido utilizado, entre outros. A estimativa atual é que o custo por planta de tomate sob manejo convencional seja, até a colheita dos primeiros frutos, de R$ 2,00 a R$ 3,00. No entanto, relatos de produtores do município de Paty do Alferes confirmam o custo de até R$ 5,00 por planta.

A produção de tomate orgânico (ou sob manejo orgânico) tem sido um negócio almejado pelos produtores orgânicos do Estado do Rio de Janeiro, pois, devido à pouca oferta, é um produto que atinge alto valor de mercado nos diferentes canais de comercialização. No entanto, a pouca oferta se deve, justamente, à dificuldade de produção sob manejo orgânico que a cultura apresenta, em particular à pouca eficiência no controle da broca-pequena-dofruto (Neoleucinodes elegantalis) e da requeima (Phytophthora infestans), principais fitoparasitos na produção de tomate orgânico e responsáveis pelo insucesso de muitos plantios. Outros problemas fitossanitários também podem assumir grande importância, como a murcha-bacteriana (Ralstonia solanacearum) e o mosaico-dourado (Begomovirus).

No que se refere aos principais aspectos da produção, na agricultura orgânica não é permitido o uso de agrotóxicos e de organismos geneticamente modificados e não se tolera a adoção de práticas de manejo que comprometam a qualidade do solo ou que provoquem a sua perda por processos erosivos. A legislação ambiental vigente deve ser respeitada; práticas como rotação de culturas, plantios consorciados (inclusive com espécies arbustivas e arbóreas),

adubação verde e o uso de composto orgânico são sempre preconizadas; e a utilização de caldas de preparo caseiro, extratos vegetais, agentes de biocontrole, feromônios e algumas armadilhas é, via de regra, permitida para o controle de fitoparasitos. Por fim, é importante salientar que, para ser comercializado como produto orgânico, o tomate (e qualquer outro produto agropecuário) deve ser oriundo de área reconhecida para tal fim, o que se dá por meio da avaliação da conformidade orgânica, pelos mecanismos de auditoria, de sistemas participativos de garantia ou por meio de controle social. Informações mais detalhadas sobre a avaliação da conformidade orgânica e experiências sobre o tema no Estado do Rio de Janeiro podem ser obtidas em Fonseca.

Esta publicação tem como objetivo disponibilizar as principais informações sobre a produção de tomate orgânico para o Estado do Rio de Janeiro.


O tomate (Solanum lycopersicum L.) e uma hortalica-fruto amplamente cultivada no Brasil e em diversos países do mundo. De acordo com dados da Food and Ag2riculture Organization (FAO), em 2018, o Brasil ocupou a decima posição no ranking da produção de tomate em nivel mundial, com 2,27% de participação. China, Índia, Estados Unidos e Turquia ocuparam as primeiras posições, respondendo por aproximadamente 34,04%, 10,70%, 6,97% e 6,71%, respectivamente.

Ate 2016, o Brasil ocupava a nona posição, mas foi superado pelo México a partir de 2017. A produção mundial de tomate foi 163,1 milhões de toneladas em 2012 e 181,05 milhões em 2018,uma variação de 10,95%

O mundo inteiro consome tomate, mas nem sempre a demanda do pais e suficiente, o que exige a compra de frutos produzidos em outros países. Em 2018, foram exportadas 8.262.050 toneladas, das quais 21,8% foram produzidas no México, seguido dos Países Baixos (20,5%) e Espanha (12,8%) (Tabela 3). Ja no que se refere as importações do fruto, em 2018, foram importadas 7.361.455 toneladas. A maior parte deles foi importada pelos Estados Unidos (24,3%), Alemanha (15,6) e Rússia (8,1%).

A maior parte da produção brasileira de tomate tutorado, fresco ou congelado, tem como destino o Uruguai: em 2018, o pais comprou 75,8% do volume produzido. O restante da produção, desde 2015, e comercializado para outros paises vizinhos do Brasil, como Argentina e Paraguai. Outra forma de exportação do tomate e o seu suco. A forma processada e geralmente exportada para o Reino Unido e para as Ilhas Marshall, dentre outros paises. O Brasil ainda importa uma porcentagem de tomate para suprimento da demanda. Em 2018, este volume foi de 686 toneladas advindas da Argentina - pais que, desde 2016, exporta frutos para o Brasil

O segmento de mesa representa atualmente em torno de 63% da produção de tomate no Brasil. Disponível o ano todo, com maior ou menor volume, de acordo com a região produtora e sazonalidade das safras, a especie e cultivada em praticamente todo o território nacional (CONAB, 2016). O tomateiro totalizou em 2019 cerca de 57,8 mil ha e produção de 4,1 milhões de toneladas.

A produção agrícola de tomate no Brasil tem maior importância nas regiões do Sudeste (representando 39,53% da areá colhida e 42,14% da quantidade produzida) e Centro-Oeste (representando 24,79% da área colhida e 32,50% da quantidade produzida)

O rendimento médio da cultura no Brasil e de 70.511 kg/ha e as maiores produtividades sao registradas nas regiões Centro-Oeste (92,4 t/ha) e Sudeste (57,9 t/ha). As demais regiões apresentam produtividade abaixo de 57,9 t/ha Goias, Sao Paulo e Minas Gerais concentram 65,6% da producao nacional e 54,76% da área colhida do pais. Em 2019, Goias alcançou 31,65% da participação na produção nacional (1,2 mi t), seguido por Sao Paulo (860.600 t) e Minas Gerais (523.525 t) (Tabela 7). Em Goias, o maior produtor do pais, o rendimento médio da cultura do tomateiro e de 93,9 t/ha-1, em Sao Paulo 78,9 t/ha-1 e em Minas Gerais 74,6 t/ha-1. Os demais Estados apresentam produtividade media de 69,3 t/ha.

A producao e a comercialização de tomate desempenham um papel importante na economia de Goias. Apesar de o estado ser o maior produtor de tomate do Brasil, quando se faz a separação por segmento de mercado, observa-se que o estado de Sao Paulo e o maior produtor de tomate de mesa. Em Goias, a maior participação e do segmento de tomate rasteiro (Tomate para processamento industrial), com 96,1%, em 2017, que correspondeu a uma area de 15.635 ha cultivados, enquanto a participação do tomate de mesa foi de apenas 3,9%, com uma area de 672 ha.

Entre os principais estados produtores de tomate para consumo in natura, destacam-se São Paulo, Minas Gerais, Goias, Bahia, Parana e Santa Catarina. Em São Paulo o segmento de tomate de mesa representou, em 2019, 76,5% da produção (676.380 t), em uma área cultivada de 8.674 ha. Ja o segmento de tomate industrial representou 23,5% da produção estadual, em uma área de 2.494 ha



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

ESPÉCIES DE BAUNILHAS NO BRASIL

 

ESPÉCIES DE BAUNILHAS NO BRASIL

Muitas espécies que ocorrem no Brasil ainda são desconhecidas no resto do mundo.

Algumas podem apresentar aromas ou outras características diferentes das encontradas em espécies cultivadas comercialmente. A inclusão dessas espécies na gastronomia e em outros mercados promissores poderá valorizar os produtos regionais  gerar benefícios para comunidades rurais e demais interessados. Além disso, podem ser importantes para o melhoramento genético das baunilhas cultivadas por apresentarem características desejáveis: frutos que não se abrem quando maduros (indeiscentes), padrões aromáticos diversificados, resistência a doenças, entre outras. Das 15 espécies aromáticas que ocorrem no Brasil, três são consideradas de valor econômico atual ou de uso potencial: 1) Vanilla phaeantha Rchb. f. (syn. Vanilla bahiana Hoehne), amplamente distribuída nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste (Figura 6); 2) Vanilla chamissonis Klotzsch, distribuída em todas as regiões brasileiras (Figura 7); 3) V. pompona, amplamente distribuída nas regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte (Figura 8). Além das três espécies mencionadas acima, mais algumas aromáticas de ocorrência no Brasil são: Vanilla columbiana Rolfe (syn. Vanilla calyculata Schltr.); Vanilla cribbiana Soto Arenas; Vanilla labellopapillata A. K. Koch, Fraga, J. U. Santos & Ilk.-Borg.;Vanilla marowynensis Pulle; Vanilla odorata C. Presl; e Vanilla trigonocarpa Hoehne.

Figura 6. Planta e flor de Vanilla phaeantha (syn. Vanilla bahiana).


Figura 7. Planta e flor de Vanilla chamissonis.



Figura 8. Planta e flor de Vanilla pompona.




quinta-feira, 4 de abril de 2024

BOTÂNICA E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA BAUNILHA

 

BOTÂNICA E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

A baunilha é uma planta trepadeira (Figura 1A) da família das orquídeas (Orchidaceae), pertencente ao gênero Vanilla. É a única orquídea que possui frutos aromáticos; por isso, é utilizada amplamente na indústria de alimentos, cosméticos e gastronomia. Embora o termo botânico que define o tipo de fruto da baunilha seja “cápsula”, ele é comumente chamado de “fava” ou “vagem” Os frutos somente produzirão aroma quando em plena maturidade, o que pode ocorrer de forma natural ou artificialmente pelo processo de cura (Figura 1C). Nesta publicação, utiliza-se o termo “baunilha” exclusivamente para referir às espécies de Vanilla que produzem frutos aromáticos.

Planta trepadeira de Vanilla planifolia (A)

frutos imaturos de Vanilla  planifolia (B)

frutos curados de Vanilla planifolia (C)

Ao todo, são conhecidas aproximadamente 110 espécies do gênero Vanilla e cerca de 30 a 40 espécies possuem frutos aromáticos. O gênero é mais diversificado na América tropical (52 espécies), mas ocorre também na África, nas ilhas do Oceano Índico, Sudeste Asiático/Nova Guiné e ilhas do Pacífico. As 110 espécies se distribuem em praticamente todos os países que ocupam a faixa tropical (entre os paralelos 27º Norte e Sul), mas estão ausentes na Austrália. As espécies que possuem frutos aromáticos ocorrem somente na América Tropical. Nesse contexto, o Brasil desponta como o País que comporta a maior diversidade, com 35 a 40 espécies, sendo cerca de 15 com frutos aromáticos.


Diferenças entre as baunilhas e as demais orquídeas

As orquídeas podem crescer diretamente no solo (hábito terrestre, Figura 2A) ou sobre outras plantas, sem contato com o solo (hábito epifítico, Figura 2B). As baunilhas apresentam uma forma de crescimento diferente: as sementes germinam no solo, e a planta se desenvolve aderida ou apoiada sobre outras plantas sem perder o contato com o solo (hábito semiepifítico ou hemiepifítico, Figura 2C), característica para a qual se utiliza atualmente o termo nomadic vine ou adpressed climber, ainda sem tradução para o português (Zotz et al., 2021).

 Orquídea de hábito terrestre (A)

 orquídea de hábito epifítico (B)

baunilha (Vanilla pompona) de hábito hemiepifítico (C)

A maioria das orquídeas possui frutos secos, sementes envoltas por membrana que são disseminadas pelo vento. Já as baunilhas, além de serem as únicas orquídeas que possuem frutos aromáticos e carnosos, apresentam sementes lisas e disseminadas por insetos, aves ou pequenos mamíferos.

Principais características morfológicas das baunilhas

Três espécies são cultivadas em maior escala no mundo (V. planifolia, V. tahitensis  e V. pompona). V. planifolia é a espécie mais utilizada e representa 95% de toda a baunilha cultivada no mundo, seguida da V. tahitensis e V. pompona. De modo geral, V. planifolia e V. tahitensis são muito semelhantes entre si. Já V. pompona apresenta um conjunto de características que a distingue das outras duas (por exemplo, suas folhas são maiores e mais largas). As folhas de V. tahitensis são as mais estreitas entre as três espécies consideradas (Tabela 1).

V. planifolia

Aspecto geral da folha



Aspecto geral da flor

Aspecto geral do fruto


Corte transversa do fruto


Flor da baunilha



A flor da baunilha é formada por sépalas, pétalas, labelo, coluna e ovário (Figura 3).

O labelo é uma pétala modificada que possui forma e coloração diferentes das demais partes da flor e se encontra em posição contrária à coluna (Figura 4).

Ao contrário das outras famílias botânicas, cujos órgãos reprodutivos masculinos e femininos comumente se encontram livres, nas orquídeas, eles se mostram  fundidos numa mesma peça – a coluna (Figura 5), porém em localizações distintas.

A parte masculina se localiza no ápice com a antera protegendo o pólen, como uma capa. A antera pode ter sua posição alterada (versátil), mas sempre volta à posição original.

Logo abaixo dos órgãos masculinos, observa-se uma membrana, em posição perpendicular à coluna, chamada de rostelo, que serve como barreira física impedindo o contato entre os órgãos masculinos e femininos. Imediatamente abaixo do rostelo, observam-se os estigmas (parte dos órgãos femininos), que apresentam aparência úmida, em razão da presença de um líquido denso, aderente, próprio para “segurar, prender” os grãos de pólen que forem ali depositados.




quarta-feira, 3 de abril de 2024

Conheça a Abóbora BRS Brasileirinha


 

Abóbora BRS Brasileirinha

Com frutos bicolores verde-amarelo, a BRS Brasileirinha foi desenvolvida com o objetivo de disponibilizar um produto diferenciado, com o potencial para explorar nichos de mercado de alto valor agregado. Isso se deve tanto a sua composição nutricional, com teores de betacaroteno e luteína, quanto ao aspecto ornamental dos seus frutos e excelente sabor. A cultivar BRS Brasileirinha apresenta múltipla aptidão podendo ser colhida para consumo como conserva, abobrinha verde ou abóbora seca.

As plantas da cultivar BRS Brasileirinha são rústicas e as ramas possuem hábito de crescimento prostrado, indeterminado e vigoroso, com distância entre as folhas maior que 15 cm. As folhas apresentam formato retuso, coloração verde-clara, margem foliar dentada, com faceamento foliar raso e pilosidade quase ausente. As plantas são monoicas, ou seja, apresentam flores femininas e masculinas na mesma planta, com boa cobertura de flores femininas. As primeiras flores masculinas aparecem a partir do 7° nó, ao passo que as flores femininas surgem após o 14° nó.

Os frutos da cultivar de abóbora BRS Brasileirinha apresentam formato periforme alongado, com casca lisa e brilhante. Eles podem ser comercializados como abobrinha verde, sendo colhidos com comprimento entre 12 a 18 cm e massa média entre de 180 a 400 gramas; na forma de picles (em conserva), quando colhidos ainda no estágio de botão floral, com peso médio de 60 gramas e 9 cm de comprimento; e ainda frutos para consumo seco, colhidos com cerca de 1,2 a 1,6 Kg.

Recomenda o cultivo no espaçamento de 3 metros entre fileiras e 0,60 metro entre plantas, podendo plantá-las diretamente nas covas, com 2 a 3 sementes por cova ou fazendo o plantio de mudas. A colheita inicia-se entre 60 e 70 dias após o plantio, quando os frutos apresentam comprimento entre 12 e 18 cm.


O potencial produtivo da abóbora BRS Brasileirinha varia de acordo com o estágio dos frutos no momento da colheita e seu uso pretendido: consumo verde ou seco, conserva ou ornamento. Para consumo verde, a produção pode chegar a 10 frutos por planta, quando feitas colheitas sucessivas. É importante lembrar que a presença de abelhas como agentes polinizadores para o bom pegamento de frutos e, consequentemente, boa produtividade é fundamental.


A cultivar BRS Brasileirinha apresenta bons níveis de resistência de campo a diferentes raças de oídio (Podosphaera xanthii) e ainda pode ser utilizada como polinizadora das abóboras do segmento Tetsukabuto, pela precoce e abundante produção de flores masculinas.

https://www.embrapa.br/cultivar/abobora



domingo, 17 de março de 2024

Cultivo de baunilha: práticas básicas

 

INTRODUÇÃO

A baunilha (Vanilla planifolia Andrews) é uma planta da família das orquídeas, origináriado México, cujos frutos aromáticos possuem um alto valor comercial. O aroma natural de baunilha, relacionado especialmente à presença da substância vanilina, é o mais popular e largamente utilizado no mundo. Apesar da produção sintética de vanilina, existe uma grande demanda pela produção do aroma da baunilha de origem natural. Estima-se que menos de 1% dos produtos são aromatizados com baunilha de origem natural, particularmente aquela que seja proveniente de sistemas de cultivo agroflorestal e orgânico. O fruto é a parte utilizada da planta, comumente denominada vagem ou fava.

A baunilha era originalmente utilizada pelos povos Astecas em um contexto cultural para fins aromatizantes e medicinais e em rituais com o intuito de atender à nobreza, especialmente ao imperador. A obtenção da baunilha (V. planifolia) era feita de forma extrativista, fruto da polinização natural por abelhas nativas, e, por esse motivo, sua produção era incipiente. A baunilha foi apresentada à cultura europeia pelos espanhóis, que a conheceram na corte do tlatoani (governador) Asteca Moctezuma II (Montezuma). Ao aportar em 1519 no território que hoje se conhece como México, Hernán Cortez, conquistador espanhol, foi recebido pelo governante, que teria lhe oferecido a bebida sagrada tchocoatl, que era feita de massa de sementes de cacau acrescidas de mel e baunilha e engrossada com farinha de milho.

O Codex Florentinus (1540–1590) traz os mais antigos registros europeus conhecidos sobre os usos de baunilha, escritos e ilustrados sob a supervisão do missionário franciscano espanhol Bernardino de Sahagún.

A cultura da baunilha foi introduzida pelos franceses na Ilha da Reunião (1793), de onde foi levada para as Ilhas Maurício (1827), posteriormente para Madagascar (1840) e para as Ilhas Seychelles (1866). Há registros de cultivo de baunilha em Java no ano de 1846. Apesar de a baunilha ser conhecida e cultivada na Europa desde o século XVI, sua disseminação pelo mundo só ocorreu no século XIX, o que se deveu  à dificuldade de produção de frutos fora da área de origem. A superação deste problema se deu somente em 1836, quando Edmond Albius, escravo na Ilha da Reunião, descobriu um método prático de polinização artificial das flores, o qual é utilizado ainda hoje.

A baunilha contém cerca de 300 compostos químicos, responsáveis por um aroma único, com predominância de vanilina, e tem uma grande variedade de usos.

Cerca de 97% da baunilha industrializada no mundo é usada na indústria de fragrâncias e aromas, em sorvetes, iogurtes, produtos de panificação, doces, bebidas e outros produtos aromatizados. A baunilha é um produto com alto valor agregado, que exige mão de obra especializada e procedimentos e tratos culturais específicos.

Atenção especial deve ser dada para a produção de mudas, o desenvolvimento e manejo das plantas, a polinização manual, e o processo longo e criterioso de beneficiamento (cura) dos frutos.

Atualmente, são cultivadas, em escala comercial, três espécies de baunilha: a V. planifolia (aproximadamente 95% da produção mundial), a Vanilla x tahitensis J. W. Moore, um híbrido natural, e a Vanilla pompona Schiede. Os frutos comercializados de V. planifolia são oriundos especialmente de ilhas do Oceano Índico – principalmente Madagascar, responsável por 80% da produção mundial. São conhecidos como Baunilha Bourbon por serem obtidos pelo método de beneficiamento desenvolvido na antiga Ilha de Bourbon, atualmente Ilha da Reunião. Os frutos da V. tahitensis possuem aroma distinto e são oriundos de regiões do Oceano Pacífico, especialmente a Polinésia Francesa. Os frutos de V. pompona são originários do México, América Central, Trinidad & Tobago e América do Sul. Os maiores produtores de V. planifolia são Madagascar, Indonésia, China, Papua-Nova Guiné, México, Índia e Uganda, responsáveis  por 95% de toda a baunilha produzida no mundo. Embora o México tenha perdido sua posição como o maior exportador de baunilha, não perdeu a importância, já que é o principal detentor dos recursos genéticos associados à espécie mais comercializada (V. planifolia). O Brasil ainda não tem tradição no cultivo de baunilha. Entretanto, experiências recentes de alguns agricultores, principalmente dos estados da Bahia, Espírito Santo e São Paulo, indicam que o País apresenta condições ecológicas adequadas (vegetação, solo e clima) para esse cultivo.

O mercado internacional da baunilha é marcado por flutuações significativas nos preços, um reflexo da disponibilidade limitada e da qualidade dos produtos.

Entre os desafios do setor produtivo que afetam as oscilações da oferta do produto e que restringem o crescimento do mercado de baunilha estão a reduzida variabilidade genética de V. planifolia, baseada em poucas cultivares e clones, tornando o cultivo da baunilha altamente suscetível a doenças; o baixo nível de tecnificação na produção e no beneficiamento; e as perdas por desastres climáticos. Este cenário sugere a busca de novos locais favoráveis ao cultivo da baunilha, bem como a exploração de espécies nativas que ainda não são utilizadas comercialmente.

As baunilhas brasileiras podem apresentar características interessantes, como composição química e aroma diferenciados. No entanto, existem grandes desafios a superar para transformar essas espécies nativas em produtos para o exigente mercado da alta gastronomia e da indústria.

Esta publicação tem como objetivos trazer informações técnicas básicas sobre o cultivo da baunilha e o processamento dos seus frutos tendo por base conhecimentos e pesquisas realizadas em países tradicionalmente produtores da V. planifolia, descritas na literatura, e que podem ser adaptados às espécies nativas e às condições de produção no Brasil. Toda a literatura está descrita no item Literatura recomendada ao final da publicação. Espera-se oferecer ao produtor nacional informações para a melhoria da sua produção visando atender ao mercado consumidor, para a redução dos riscos inerentes ao cultivo da baunilha e para a obtenção de um produto de qualidade. Dessa forma, são abordados aspectos como sistemas de cultivo, obtenção de mudas, manejo, tratos culturais, condições fitossanitárias, processos de colheita e beneficiamento dos frutos. 


segunda-feira, 11 de março de 2024

Como é o Cultivo do Wasabi (Wasabia japonica)

 

Wasabia japonica

A wasabi, também conhecida como wasabia e raiz-forte-japonesa, é uma planta nativa do Japão, cultivada principalmente para uso de seu espesso caule subterrâneo (rizoma), mas que é frequentemente chamado incorretamente de raiz. Quando ralado, seu rizoma apresenta um sabor bastante picante, similar ao da raiz-forte, mas não idêntico. Suas folhas também podem ser consumidas e têm um sabor menos picante do que o rizoma.

Muito apreciada na culinária japonesa, seu cultivo vem aumentando também no ocidente, principalmente porque a produção japonesa de wasabi não atende nem mesmo a sua própria demanda interna. Porém, é considerada uma planta difícil de cultivar.

A wasabi é uma planta cultivada em várias regiões do Japão, principalmente em cursos de água fria


Clima

A wasabi ou raiz-forte japonesa cresce bem em locais de clima frio e úmido. O ideal é que a temperatura permaneça entre 8°C e 20°C. Locais que apresentam temperaturas acima de 28°C são considerados inadequados para o cultivo. Em regiões onde a temperatura cai abaixo de -3°C, a parte aérea da planta morre, mas esta pode ainda sobreviver e rebrotar quando a temperatura estiver adequada novamente.

Luminosidade

Esta planta cresce melhor em sombra parcial, embora também possa ser cultivada com luz solar direta em regiões onde o clima é ameno mesmo durante o verão.

A wasabi cresce melhor em sombra parcial 


Sistemas de cultivo

Há dois sistemas tradicionais de cultivar esta planta. O mais utilizado no Japão é o cultivo em um ambiente semiaquático, com um fluxo suave e continuo de água fria. No Japão é comum o plantio em camas de rochas feitas ao longo de cursos de água ou em tanques. Cada cama é composta de uma grossa camada de pequenas rochas sobre as quais há uma camada de cascalho, que por sua vez é coberto com uma camada de alguns centímetros de areia.

O outro sistema é o cultivo em locais de solo úmido, rico em matéria orgânica, geralmente sob grandes árvores que proveem sombra e ajudam a manter o ambiente úmido. Neste sistema o solo deve reter bem a água, permanecendo constantemente úmido, mas não deve ficar encharcado ou inundado. A wasabi cresce bem em água corrente, com boa concentração de oxigênio, não em o solo inundado com água estagnada.

Uma outra alternativa é o cultivo em sistemas hidropônicos. O pH da água e do solo devem estar entre 6 e 7, qualquer que seja o sistema de cultivo empregado.

Mudas de wasabi


Plantio

A wasabi ou raiz-forte japonesa é normalmente cultivada a partir de rebentos ou de sementes. Também é possível usar pedaços dos rizomas, mas isso é menos comum.

O método de propagação por sementes não é o mais apropriado quando se espera colher rizomas, pois as plantas oriundas de sementes muitas vezes não produzem bons rizomas. Quando o objetivo é a colheita comercial de rizomas, o plantio deve ser feito usando apenas rebentos de plantas que produzem rizomas de excelente qualidade.

Quando uma planta é colhida, seus rebentos são retirados e usados para propagar a wasabi. Assim muitas vezes a colheita e o plantio são realizados ao mesmo tempo, pois os maiores rebentos podem ser plantados diretamente no local definitivo. Os menores podem ser plantados em vasos deixados sobre bandejas com água, para que o solo do vaso não fique seco. Os rebentos devem ter uma aparência saudável e ter pelo menos 4 cm de altura e pelo menos 4 folhas. Pode haver até 20 rebentos adequados para propagação em cada planta na época da colheita dos rizomas.

As sementes normalmente não germinam se não passarem por um longo período de baixas temperaturas. Assim é necessário deixar as sementes em um refrigerador a 5°C por dois meses para quebrar a dormência antes de semeá-las (o tempo necessário pode variar, dependendo da variedade cultivada). Semeie em sementeiras, módulos, bandejas e outros recipientes, com pelo menos 10 cm de altura, e deixando as sementes cobertas com 1 cm de solo. A germinação ocorre aproximadamente em três semanas.

Quando as mudas estiverem com pelo menos 4 folhas e 5 cm de altura, o que leva de 4 a 6 meses, poderão ser transplantadas para um canteiro com sombra parcial. Deixe as mudas separadas por 5 cm, com a coroa 1 cm acima da superfície do solo. Cerca de dois meses depois, as mudas estarão com aproximadamente 10 cm de altura e poderão ser transplantadas para o local definitivo.

Já os pedaços de rizoma são colocados em recipientes contendo solo ou areia mantidos constantemente bem úmidos, preferencialmente com temperatura ambiente em torno de 10°C. Os rebentos podem levar dois meses para começar a aparecer, e quando estiverem com 4 ou 5 folhas, podem ser cortados do rizoma e transplantados como indicado no parágrafo anterior.

No local definitivo, as plantas podem ficar espaçadas por uma distância de 30 cm. Ao realizar o transplante, deixe a coroa cerca de 1 cm acima da superfície do solo.

A wasabi pode ser cultivada em vasos, que devem ter pelo menos 30 cm de diâmetro e altura para que a planta possa atingir um bom desenvolvimento. Deixe um recipiente raso com água embaixo do vaso para manter o solo sempre bem úmido.

Vaso com wasabi 

Tratos culturais

Retire as plantas invasoras que estejam concorrendo por nutrientes e recursos, principalmente quando o plantio é realizado no solo. Em sistemas semiaquáticos há menos problemas com plantas invasoras.

Plantação de wasabi em camas de rochas


Colheita

A colheita da wasabi ou raiz-forte-japonesa pode geralmente ocorrer de 18 a 24 meses após o plantio, quando o rizoma está com 3 a 5 cm de diâmetro e de 10 a 20 cm de comprimento. Contudo, algumas vezes a planta fica crescendo por até cinco anos antes da colheita ser feita.

sábado, 30 de dezembro de 2023

Alho: como comprar, conservar e consumir

 

O alho é uma hortaliça da família Aliácea e uma das mais antigas plantas cultivadas no mundo. Originário da Ásia Central, seu cultivo difundiu-se para a região do Mar Mediterrâneo em tempos pré-históricos. No Brasil, o alho chegou com s portugueses na época do descobrimento.

Pelos povos antigos, era considerada planta medicinal sendo até hoje usada contra gripes e resfriados. O alho destaca-se entre as hortaliças como fonte dos sais minerais potássio e zinco e as vitaminas B1 e B6.



Como comprar

O alho é um bulbo formado por um conjunto de bulbilhos. Popularmente,o bulbo é chamado de cabeça e os bulbilhos, de dentes. A casca pode ser branca ou roxa, mas os dentes são sempre de cor creme bem claro, tornando-se amarelados quando velhos.

Ao comprar, escolha bulbos firmes que se apresentem bem curados, ou seja, com a casca, a haste, a base e as raízes bem secas. A casca do alho bem curado solta-se com facilidade.

Evite bulbos com defeitos que comprometem a qualidade, tais como lho chocho, murcho, brotado, úmido e com sinais de mofos ou bolores e ataques de praga.

Alguns defeitos, como bulbo aberto, danos mecânicos leves em cicatrizados e base com rachadura, prejudicam a aparência sem inutilizar o alho para consumo.

Como conservar

Muito durável

O alho, em réstia ou com os bulbos soltos, mantém-se próprio para consumo por longo período de tempo em condição ambiente, desde que o local seja arejado, seco e escuro. Não se recomenda a conservação de alho com casca em geladeira.

Quando descascado, deve ser mantido em geladeira dentro de vasilha de vidro ou de plástico tampada.

Nessas condições, dura cerca de cinco dias. Também pode-se triturá-lo com sal, fazendo desta forma a pasta de alho, ou desidratá-lo após cortá-lo em fatias finas.

A pasta de alho e sal pode ser mantida em condição ambiente por várias semanas, mas quando se adiciona cebola é preciso mantê-la em geladeira.

O congelamento não é aconselhável porque ele prejudica a textura e o sabor do alho.

Como consumir

Em pasta, refogado ou seco

Há várias maneiras de descascar os dentes de alho. Com auxílio de uma faca, corte um pedaço pequeno das pontas e remova a casca ou pressione os dentes com o cabo da faca, esmagando-os levemente para em seguida remover a casca. Para facilitar o descascamento, podem-se deixar os dentes de molho em água até amaciar a casca.

O alho pode ser picado, ralado ou usado inteiro para temperar todo tipo de prato salgado. Adicionalmente, pode ser preparado em pastas para serem servidas com pães e em molhos de saladas.

Para realçar o sabor de tortas e pizzas, principalmente aquelas com chicória ou escarola, pegue cinco dentes de alho fatiados, acrescente uma colher (café) de sal e frite em duas colheres (de sopa) de óleo até dourar. Use para salpicar tortas ou pizzas antes de levá-las ao forno.

Ao refogá-lo, deve-se evitar o fogo alto, pois, se queimado, fica com sabor amargo.

Dicas

Para diminuir o sabor forte, divida o dente ao meio no sentido do comprimento e retire o miolo que fica bem no centro do alho.

O alho combina com vários outros temperos: salsa, açafrão, cebola, cebolinha, coentro, colorau, pimenta, orégano, manjericão. Em todas as combinações, é preciso dosar os temperos para evitar que o sabor do alho predomine sobre os demais.

Coloque dentes de alho descascados dentro de um vidro com azeite e deixe curtir em condição ambiente por alguns dias. Use o azeite para temperar saladas e o alho para temperar outros pratos.

Receitas


Batatas com alho

Ingredientes

• 500 g de batatas cozidas em água com sal

• 2 colheres (sopa) de manteiga

• 4 dentes de alho de alho picados em tamanho pequeno

• 4 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado

• Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de fazer

1. Lave e descasque as batatas.

2. Cozinhe-as com sal até ficarem firmes, sem desmancharem.

3. Corte as batatas cozidas em rodelas.

4. Unte uma forma refratária com a manteiga e coloque as rodelas de batatas.

5. Derreta a manteiga, retire-a do fogo e acrescente o alho picado, a pimenta e o sal.

6. Derrame a manteiga temperada por cima das batatas.

7. Polvilhe o queijo e leve ao forno até dourar.

Tempo de preparo e cozimento: 30 minutos

Rendimento: 4 porções

Sugestão

v Sirva com carnes, peixe ou frango.

v O mesmo prato pode ser preparado com mandioquinha-salsa.

Pasta de alho com sal

Ingredientes

• 700 g de alho descascado

• 800 g de sal

• 250 mL de óleo de soja

Modo de fazer

1. Amasse bem o alho com máquina de moer carne, liquidificador ou pilão.

2. Transfira o alho esmagado para uma vasilha de plástico ou de vidro.

3. Adicione o sal e o óleo e misture até obter uma massa homogênea.

4. Coloque a pasta em frascos higienizados, tampe-os e mantenha-os em local fresco e escuro. Não é preciso manter em geladeira.

Tempo de preparo: 40 minutos

Rendimento: 1 kg

Sugestão

v Em vez de óleo de soja, pode-se usar azeite.


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